O engano da aleatoriedade

Já aconteceu de você escutar duas músicas seguidas do mesmo artista no modo aleatório? Ou perceber que algumas músicas tocam com uma frequência maior do que outras? Em razão disso, muitos alegam que o modo aleatório não é de fato aleatório. Porém, na verdade, estão bem enganados e há duas explicações para isso.

A primeira justificativa é o fenômeno cognitivo conhecido como apofenia, que afirma que as pessoas estão constantemente buscando padrões em coisas aleatórias, logo, se no modo aleatório escutam músicas seguidas de um mesmo gênero ou artista, acreditam que há um padrão e não uma aleatoriedade. Entretanto, justamente por ser aleatório, a chance de repetir o mesmo artista em sequência existe, uma vez que os eventos são independentes. O que nos leva para a outra justificativa, a falácia do apostador, em que o indivíduo tende a acreditar que a probabilidade de um evento acontecer aumenta a medida que se repete o experimento sem que haja a ocorrência deste evento. Para exemplificar este engano, suponha que sejam realizados 6 lançamentos de uma moeda e que ocorra cara em todos, diante disso, nós tendemos a acreditar que a probabilidade do próximo lançamento ser coroa é maior, dado que este resultado ainda não aconteceu.

Por conta de todas estas queixas, tanto o Itunes quanto o Spotify desenvolveram um algoritmo que torna esse modo de reprodução menos aleatório, para que assim, na percepção de seus usuários, pareça ser aleatório. Contudo, segundo relato dado por Mattias Johansson em 2015, engenheiro de software do Spotify na época, é muito difícil criar algo que se pareça genuinamente aleatório e que, ainda hoje, as pessoas constantemente se questionam sobre a aleatoriedade da reprodução das músicas.

2 respostas
  1. Lucas Albuquerque
    Lucas Albuquerque says:

    Outro fator é que a pessoa ouve 50 músicas por dia. Se duas se repetem (ou se tem duas seguidas do mesmo artista), ela ignora as outras 48 diferentes e vê um “padrão”. É a mesma lógica de signos, onde se releva as coisas que não interessa e as características que batem com a personalidade de quem quer acreditar ficam mais evidentes.

    PS: uma dica para os posts é dizer quem escreveu 🙂

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